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RODA DOS ALIMENTOS Uma forma de se alimentar correctamente Uma boa alimentação é, sem dúvida, algo essencial para o bem-estar e para a saúde de um indivíduo. Através do recurso a métodos específicos utilizados pelos nutricionistas, seria possível termos uma noção da forma como nos devemos alimentar, sabendo, com rigor, se estamos a satisfazer as nossas necessidades reais de proteínas, aminoácidos e ácidos gordos essenciais, vitaminas, minerais, fibra, etc. (WHO, 1998). Este método funcionaria, mas na realidade não é nada prático. Por essa razão, os nutricionistas desenvolveram um modo mais simples e aproximado de cada pessoa saber o que deve incluir na sua dieta para satisfazer todas as suas necessidades alimentares – é a Roda dos Alimentos. Para o mesmo fim podia usar-se também a chamada Pirâmide Alimentar. Figura 1 – Roda dos Alimentos Portuguesa, de 1977. Seguidamente, para que se utilize adequadamente a Roda dos Alimentos, começaremos por explicar a “velha” Roda portuguesa (figura 1), concebida em 1977 pela extinta Campanha de Educação Alimentar «Saber Comer é Saber Viver», e passaremos a explicar as razões que levaram à elaboração de uma nova Roda (figura 2) surgida muito recentemente, cujas orientações são basicamente as mesmas.A Roda de 1977 apresentava as seguintes características (Peres, 2003): - Tratava-se de uma ilustração do que deve ser uma alimentação equilibrada, apresentando os diversos alimentos agrupados segundo a semelhança das suas características nutritivas; - Apresentava-se dividida em cinco grupos de alimentos, já atrás referidos (o grupo VI - das bebidas – não está representado); - Cada grupo de alimentos era representado por uma secção ou fatia de tamanho diferente que reflectia a proporção em que devíamos ingeri-la ao longo do dia; - A água não era incluída porque faz parte de todos os alimentos. - O açúcar e as bebidas alcoólicas não estavam representadas na Roda dos Alimentos, por não serem essenciais à vida, ou seja, não precisam (nem devem) estar presentes na alimentação diária. Assim, ao analisarmos a Roda dos alimentos verificávamos que os alimentos que devemos consumir no dia-a-dia, em maior quantidade, eram os vegetais e frutas frescas, que forneciam a água, sais minerais e vitaminas, seguidos dos alimentos ricos em glícidos. O leite e seus derivados deveriam ocupar o terceiro lugar na nossa alimentação diária, seguido do grupo das carnes, peixe e ovos e, em último lugar, as gorduras, que deveriam ser ingeridas diariamente em pequenas quantidades. Numa alimentação diária equilibrada deviam estar incluídos todos os grupos de alimentos nas proporções correctas observáveis nessa Roda, pois só assim, em conjunto, nos eram fornecidos todos os nutrientes necessários ao bom funcionamento do nosso organismo. Concluindo, da análise desta Roda dos Alimentos retirava-se como mensagem que (Peres, 2003): - Devíamos comer diariamente alimentos de todos os grupos, na proporção em que estão representados, para garantir uma alimentação completa. - Nenhum grupo devia ser dispensado ou exagerado. - Devíamos variar o mais possível dentro de cada grupo de alimentos, pois apesar das semelhanças, existem diferenças. Variando o tipo de alimento ingerido, teríamos uma alimentação mais rica, equilibrada e completa. Dos grupos representados na Roda dos Alimentos portuguesa, recomendava-se que o grupo I devia representar 14% do consumo total diário de alimentos. O grupo II devia fornecer 10% das necessidades diárias. Alimentos do grupo III deviam representar apenas 3%. Do grupo IV devíamos ingerir 30% das nossas necessidades diárias. E por último, o grupo V devia contribuir com cerca de 43%. Há que ter em conta que as recomendações indicadas estão desenhadas para a população adulta em geral, pelo que são necessárias pequenas modificações tendo em conta grupos específicos, como as crianças, mulheres grávidas e outros (Peres, 2003). Em finais do ano de 2003, surge uma nova Roda dos Alimentos, produzida pela Faculdade de Ciências de Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto (FCNAUP), para colmatar algumas falhas da anterior que já possuía mais de duas décadas. Segundo os autores, a evolução das pesquisas científicas e modificações na situação alimentar portuguesa levou à sua reestruturação (FCNAUP, 2003). Mas o objectivo é o mesmo, promover uma alimentação completa, equilibrada e variada. A nova Roda organiza-se agora em sete grupos de alimentos (figura 2), mais dois que a anterior, e foi adicionada a água no seu centro. Não sendo a água um grupo à parte, uma vez que está presente na constituição de todos os alimentos, é todavia essencial à vida pelo que devemos bebê-la com frequência, sendo a recomendação de consumo de um litro e meio a três litros diários, como está devidamente esclarecido em algumas notas que acompanham esta Roda.
Figura 2 – Roda dos Alimentos Portuguesa, de 2003. A grande diferença nesta nova Roda é a indicação da proporção do peso de cada grupo com a respectiva “tradução” em copos de galão, chávenas almoçadeiras e colheres de sopa, sobremesa e chá, estando agora cada grupo referenciado com o número de doses/porções diárias de consumo, devidamente esclarecidos. Mas na nova Roda, cada grupo está também referenciado com as percentagens em que devem estar presentes na alimentação diária, mas com ligeiras alterações relativamente à anterior: cereais, seus derivados e tubérculos – 28%; hortícolas – 23%; fruta – 20%; lacticínios – 18%; carne, pescado e ovos – 5%; leguminosas – 4%; gorduras e óleos – 2%.Outra alteração verificada é a subdivisão de alguns dos anteriores grupos, como os vegetais e a fruta e as leguminosas secas que foram separadas do seu anterior grupo. Nesta Roda são ainda apresentadas as seguintes recomendações (FCNAUP, 2003): - No que concerne ao consumo de bebidas, para além da água, apenas são recomendados sumos de fruta naturais e os chás sem cafeína. Relativamente às bebidas alcoólicas devem obedecer a um consumo moderado, mas apenas para adultos. Todas as outras bebidas devem ser excluídas; - O café, alguns chás e refrigerantes com cafeína estão desaconselhados para crianças. Para os adultos estes estimulantes devem ser limitados a 300 mg por dia; - Os alimentos ricos em açúcares não devem arcar em presença diária e convém que sejam reservados, de preferência, para festas e para o fim das refeições; - O sal, que deve ser inferior a 5g diárias, deve ser substituído por ervas aromáticas e especiarias; - A tudo isto é adicionado um “ingrediente” absolutamente indispensável – manter um peso saudável – necessário a um bom estado de saúde, sendo importante a prática moderada e regular da actividade física (meia hora de um simples passeio diário é o recomendado). Deixamos, agora, as orientações que nos transmitem esta Roda, que são consentâneas com a anterior, para uma alimentação saudável: deve ser “completa – diariamente comer alimentos de cada grupo (crianças de 1 a 3 anos, os homens activos e os rapazes adolescentes, representam os extremos quanto a necessidades; a restante população deve orientar-se por valores intermédios) e beber água diariamente; ser equilibrada – comer maior quantidade de alimentos pertencentes aos grupos de maior dimensão e menor quantidade dos que se encontram nos grupos de menor dimensão, de forma a ingerir o número de porções recomendado; e variada – comer alimentos diferentes dentro de cada grupo variando diariamente, semanalmente e nas diferentes épocas do ano” (FCNAUP, 2003). No entanto, é importante realçar que não há uma roda dos alimentos universal, mas sim várias, dependendo de diversos factores, tais como o sexo, as doenças associadas a cada indivíduo (diabetes, hipertensão, …), o clima, o estilo de vida, etc. Repositório da Universidade do Minho. Educação alimentar na escola: avaliação de uma intervenção pedagógica dirigida a alunos do 8º ano de escolaridade. [Consult. 6 Mai. 2010]. Disponível em WWW: URL: http://hdl.handle.net/1822/2634 (adaptado)
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